terça-feira, 10 de julho de 2012

Eu sei que a gente briga, se xinga, se estapeia, se odeia, se avita, se agride, se tenta atingir, força uma barra de pouco caso, finge que não se importa, que não chora e que não fica mal com todas essas agressões infantis. 
Mas eu sei que se a gente briga, é porque se importa. Que se a gente se xinga, é porque estamos pondo pra fora o que de ruim tem dentro, e certamente não é proveniente de nós, não nos é comum. Eu sei que se a gente se estapeia e se evita é porque somos orgulhosas. Eu sei que o ódio vem do amor, por eles são irmãos de pais diferentes. E eu sei quando você chora e você sabe quando eu choro por melhor que seja nossa atuação para parecer que não.
No final disso eu vou lembrar do quão mais eu podia ser feliz ao invés de sentir rancor e raiva. Do quanto a gente podia estar numa boa ao invés de se provocar, implicar e irritar.

Eu também sei que eu nunca sei disso quando eu estou emocionalmente envolvida e sofrendo com a situação.
Mas de tudo que eu sei, o que eu tenho mais certeza é que tudo isso vai passar. Eu sei que quando eu te ver você vai me abrir um sorriso que iluminará meu caminho até a elevação mais sublime. Eu sei que quando eu sentir seu cheiro, todos os meus pensamentos vão ser inocentados. Eu sei que quando você encostar seus lábios nos meus eu vou lembar do como é bom, sincero e digno estar com você. E eu sei que quando você deitar na minha cama e eu olhar pro resto amassando e sendo amassado pelo meu travesseiro, eu vou me sentir pura, leve e correta de novo.
Eu sei que no final você me deixa inteira, completa, nova e feliz.

Eu te amo. 

domingo, 1 de julho de 2012






"As melhores mulheres pertencem aos homens mais espertos. Mulheres são como maçãs em árvores. As melhores estão no topo. Os homens não querem alcançar essas boas, porque eles têm medo de cair e se machucar. Preferem pegar as maçãs podres que ficam no chão, que não são boas como as do topo, mas são fáceis de se conseguir. Assim as maçãs no topo pensam que algo está errado com elas, quando na verdade, eles estão errados. Elas têm que esperar um pouco para o homem certo chegar, aquele que é valente o bastante para escalar até o topo da árvore."
- Machado de Assis.

Sei que, para muitas, esse texto é um consolo. É como se Machado estivesse dizendo: "Ei, não desistam! Não é porque vocês estão solteiras há tanto tempo que são piores que as outras!". Confesso que essas linhas já serviram de alento para mim também. Mas, hoje, permito-me discordar integralmente desta ideia.
Certo, mulheres são como maçãs, as melhores no topo, tudo muito bonitinho, certo, inocente. Engraçado. Percebo que, por trás desse cenário, é como se estivesse implícita a teoria de que mulheres devem se resguardar para seus futuros "príncipes encantados". É mais ou menos assim: "Ok, meninas, vocês querem seus homens, então os consigam por meios corretos. Não façam coisas consideradas erradas, guardem-se, pois eles só irão desejá-las com fins mais sérios se vocês forem puras e intocáveis." As outras mulheres estão aproveitando a vida, estão com homens, estão errando, estão sofrendo, aprendendo, crescendo, criando prioridades - mas, sobretudo, estão vivendo. As puras, as santas, estão se privando de conhecer a vida (conhecer a vida não é ficar com qualquer um, mas experimentar sabores, cores, cheiros, é vestir a roupa de turista enquanto passa por esse mundo), esperando seus machos montados em cavalos brancos.
As maçãs de baixo não são podres. São independentes. Não precisam que alguém as colha, normalmente, elas é que escolhem quem desejam. Não perdem sua vida em busca de um homem perfeito, porque sabem que ele não existe. E, até por isso mesmo, compreendam os defeitos suportáveis e as qualidades que não abrem mão, através dessa profunda introspecção sobre seus desejos, é que partem a busca de um homem, não o ideal, mas o seu ideal.
E é por isso que eu acho besteira se manter virgem até o casamento, é por isso que acho besteira todas essas listas de moralidades que ainda estão em voga. Não defendo a esculhambação e vadiagem geral. Acredito que não sou a maçã do topo. Ser seletivo é diferente de ser impossível. Não tenho minhocas na cabeça que vão me impedir de vivenciar o que eu desejo, a fim de manter-me absolutamente pura para alguém. Porque, se pureza significa ficar a vida esperando um gentleman para que você possa existir de verdade, então com certeza eu sou a pessoa mais suja do mundo - e com gosto.






Eu, de terno cinza, gravata lilás e já sem unha nos dedos te esperando ansiosa na frente dos nossos poucos amigos mais próximos e da pequena parte da nossa família que estava feliz por nós. Um jardim lindo que você passou meses procurando por. Um cheiro de defumador, de serra, de fruta fresca, madeira cortada, pedra de cachoeira e de flor. Via perseverança, via calma, via plenitude. Meu coração em um contraste de tranquilidade e taquicardia. Você demorava a chegar, eu pensando que você ia desistir. Disfarço muito bem e ninguém percebe que eu já estou chorando. Será que meu relógio parou? Será vai chover? Será que ela está no banheiro chorando? Será que alguma ex-namorada maluca vai entrar gritando na hora do "fale agora ou cale-se para sempre"? Será eu vou me lembrar dos meus votos? Ouço o piano e violino tocarem no fundo e eu sinto minhas migalhas se recomporem, meus pesares me darem trégua. Penso "é ela". Sinto seu cheiro de longe, o que coloca de novo seu tipo de sorriso preferido no meu rosto: imenso. Verifico minha postura, meu cabelo e a abotoadura do manga do meu terno. Nossas vidas -juntas e separadas - passam na minha mente. Levanto a cabeça, olha para frente e já te vejo. Solto uma gargalhada de nervoso. Penso na nossa lua de mel. Me concentro na cerimônia de novo e você já está um passo mais perto. Tenho medo da minha voz falhar na hora de declarar ali naquele lugar de destaque. Cê sabe que sou tímida. Você dá mais um passo. Fecho os olhos, lembro da nossa lua de mel de novo, abro os olhos. Consigo  domar o medo mas a ansiedade tomou conta de mim: você já havia dado três passos. Sua expressão está invejavelmente tranquila mas eu sei que você está num turbilhão de emoções, como eu. Você e seu vestido fazem um par maravilhoso. Também pudera, você demorou seis meses para escolhê-lo, chorou três noites no meu colo dizendo que nunca o acharia e disse que não queria mais casar porque não tinha roupa. Mas aí estão vocês, fazendo eu me sentir a mulher mais sortuda de Mercúrio a Netuno. Depois do seu quinto passo eu só consigo pensar em te puxar, te abraçar, entrar no carro e ir embora. Calculo quanto você já andou e quanto falta para você chegar: quatro passos. Tudo bem. Penso em olhar o relógio mas isso te deixaria brava. Respiro fundo, fecho os olhos de novo, abaixo a cabeça, lembro do seu cabelo marcando meu rosto de manhã, do meu ombro anestesiado pelo nosso sono cruzado. Tento me entorpecer com alguma lembrança gostosa, mas continuo ansiosa demais. Minhas mãos suam, meus pés suam, sinto um buraco no meu peito. Desisto. Levanto a cabeça, abro os olhos, e você está parada na minha frente. Isso me deixa incrivelmente forte e confiante. Encosto meus lábios nos seus só para sentir você mais de perto e ficar arrepiada. Você parece leve e confiante, como sempre. Passa a mão no meu rosto e me entrega um sorriso. Eu lhe retribuo com outro. Sinto como se a força de atração entre nós fosse maior que a da Terra sobre mim. De repente não era mais a gravidade que me prendia no chão, era você.
Pus uma aliança no seu dedo e você pôs outra no meu para que eu nunca esquecesse disso. Foi o primeiro dia do nosso final feliz.