domingo, 1 de julho de 2012







Eu, de terno cinza, gravata lilás e já sem unha nos dedos te esperando ansiosa na frente dos nossos poucos amigos mais próximos e da pequena parte da nossa família que estava feliz por nós. Um jardim lindo que você passou meses procurando por. Um cheiro de defumador, de serra, de fruta fresca, madeira cortada, pedra de cachoeira e de flor. Via perseverança, via calma, via plenitude. Meu coração em um contraste de tranquilidade e taquicardia. Você demorava a chegar, eu pensando que você ia desistir. Disfarço muito bem e ninguém percebe que eu já estou chorando. Será que meu relógio parou? Será vai chover? Será que ela está no banheiro chorando? Será que alguma ex-namorada maluca vai entrar gritando na hora do "fale agora ou cale-se para sempre"? Será eu vou me lembrar dos meus votos? Ouço o piano e violino tocarem no fundo e eu sinto minhas migalhas se recomporem, meus pesares me darem trégua. Penso "é ela". Sinto seu cheiro de longe, o que coloca de novo seu tipo de sorriso preferido no meu rosto: imenso. Verifico minha postura, meu cabelo e a abotoadura do manga do meu terno. Nossas vidas -juntas e separadas - passam na minha mente. Levanto a cabeça, olha para frente e já te vejo. Solto uma gargalhada de nervoso. Penso na nossa lua de mel. Me concentro na cerimônia de novo e você já está um passo mais perto. Tenho medo da minha voz falhar na hora de declarar ali naquele lugar de destaque. Cê sabe que sou tímida. Você dá mais um passo. Fecho os olhos, lembro da nossa lua de mel de novo, abro os olhos. Consigo  domar o medo mas a ansiedade tomou conta de mim: você já havia dado três passos. Sua expressão está invejavelmente tranquila mas eu sei que você está num turbilhão de emoções, como eu. Você e seu vestido fazem um par maravilhoso. Também pudera, você demorou seis meses para escolhê-lo, chorou três noites no meu colo dizendo que nunca o acharia e disse que não queria mais casar porque não tinha roupa. Mas aí estão vocês, fazendo eu me sentir a mulher mais sortuda de Mercúrio a Netuno. Depois do seu quinto passo eu só consigo pensar em te puxar, te abraçar, entrar no carro e ir embora. Calculo quanto você já andou e quanto falta para você chegar: quatro passos. Tudo bem. Penso em olhar o relógio mas isso te deixaria brava. Respiro fundo, fecho os olhos de novo, abaixo a cabeça, lembro do seu cabelo marcando meu rosto de manhã, do meu ombro anestesiado pelo nosso sono cruzado. Tento me entorpecer com alguma lembrança gostosa, mas continuo ansiosa demais. Minhas mãos suam, meus pés suam, sinto um buraco no meu peito. Desisto. Levanto a cabeça, abro os olhos, e você está parada na minha frente. Isso me deixa incrivelmente forte e confiante. Encosto meus lábios nos seus só para sentir você mais de perto e ficar arrepiada. Você parece leve e confiante, como sempre. Passa a mão no meu rosto e me entrega um sorriso. Eu lhe retribuo com outro. Sinto como se a força de atração entre nós fosse maior que a da Terra sobre mim. De repente não era mais a gravidade que me prendia no chão, era você.
Pus uma aliança no seu dedo e você pôs outra no meu para que eu nunca esquecesse disso. Foi o primeiro dia do nosso final feliz.

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