quarta-feira, 27 de junho de 2012
terça-feira, 19 de junho de 2012
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
Álvaro de Campos - Fernando Pessoa
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
Álvaro de Campos - Fernando Pessoa
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Sentir amor é quando nem 2 garrafas de vodka te fazem dormir.
Amar é quando todos os outros sentimentos são desinteressantes e menores do que o amor. Nem o torpor e as sensações das drogas te dão a mesma emoção, te tocam do mesmo jeito. Não importa o quanto você tente, confie em mim.
Dar amor é não esperar nada em troca; acredite, eu sei.
Amar é não medir com régua nenhuma, pois o amor é imensurável e infinito. Sim, eu acredito no para sempre. O amor me fez acreditar.
Amor é dividir tudo. Até o que há de pior em você. Só não espere que você seja suportado e compreendido. Believe me. I tryed.
Amar é ficar bobo, sério, fraco, forte, doce, rude, chato, distante, dentro, cobiçado, inalcançável, bom, pouco, egoísta, altruísta. Tudo ao mesmo tempo. Amar é conflitar com muitos. Amar é ser. Amar é prioridade. Amar e deixar de ser. Amar é saber escolher. Amar é estar inteiro mesmo estando sozinho. Amar é sempre muito. Amar é não racionar o amor.
Me sinto até melhor por amar e não tentar desamar.
Amar é quando todos os outros sentimentos são desinteressantes e menores do que o amor. Nem o torpor e as sensações das drogas te dão a mesma emoção, te tocam do mesmo jeito. Não importa o quanto você tente, confie em mim.
Dar amor é não esperar nada em troca; acredite, eu sei.
Amar é não medir com régua nenhuma, pois o amor é imensurável e infinito. Sim, eu acredito no para sempre. O amor me fez acreditar.
Amor é dividir tudo. Até o que há de pior em você. Só não espere que você seja suportado e compreendido. Believe me. I tryed.
Amar é ficar bobo, sério, fraco, forte, doce, rude, chato, distante, dentro, cobiçado, inalcançável, bom, pouco, egoísta, altruísta. Tudo ao mesmo tempo. Amar é conflitar com muitos. Amar é ser. Amar é prioridade. Amar e deixar de ser. Amar é saber escolher. Amar é estar inteiro mesmo estando sozinho. Amar é sempre muito. Amar é não racionar o amor.
Me sinto até melhor por amar e não tentar desamar.
Fui abençoada com uma memória que me faz esquecer o quão ruim eu realmente sou ou fui. Quantas merdas eu fiz numa noite ou numa vida.
O ônus é não lembrar do meus sentimentos, dos meus prazeres, das minhas conversas gostosas de bar, do que eu fiz pra merecer o que acontece everyday.
Faz sentido, não? Por que não nos lembramos das nossas vidas passadas? Imagine o quão pesado seria lembrar o quão escroto você já foi, quantas vezes você cometeu o mesmo erro. Seriam erros seculares que te poriam muito culpa e remorso, e isso não faz ninguém sair do lugar. Do the evolution, baby! Pelo contrário, o máximo que remorso o culpa pode te dar é a mediocridade de se lamentar, se fazer de coitado. Autodepreciação. Isso é coisa de gente que não sabe lidar com seus erros, né não? motherfuckers.
"Eu era pior que qualquer puta; uma puta só toma seu dinheiro, nada mais. Eu bagunçava vidas e almas como se fossem brinquedos. Como é que eu ainda me considerava um homem? Como é que eu ainda escrevia poemas? Eu era feito de quê, afinal?"
Se Bukowski fosse de 1500 e qualquer coisa eu até consideraria a hipótese dele ter sido eu. E se pudéssemos considerar que a evolução do ser humano pode não ser pra melhor.
O ônus é não lembrar do meus sentimentos, dos meus prazeres, das minhas conversas gostosas de bar, do que eu fiz pra merecer o que acontece everyday.
Faz sentido, não? Por que não nos lembramos das nossas vidas passadas? Imagine o quão pesado seria lembrar o quão escroto você já foi, quantas vezes você cometeu o mesmo erro. Seriam erros seculares que te poriam muito culpa e remorso, e isso não faz ninguém sair do lugar. Do the evolution, baby! Pelo contrário, o máximo que remorso o culpa pode te dar é a mediocridade de se lamentar, se fazer de coitado. Autodepreciação. Isso é coisa de gente que não sabe lidar com seus erros, né não? motherfuckers.
"Eu era pior que qualquer puta; uma puta só toma seu dinheiro, nada mais. Eu bagunçava vidas e almas como se fossem brinquedos. Como é que eu ainda me considerava um homem? Como é que eu ainda escrevia poemas? Eu era feito de quê, afinal?"
Se Bukowski fosse de 1500 e qualquer coisa eu até consideraria a hipótese dele ter sido eu. E se pudéssemos considerar que a evolução do ser humano pode não ser pra melhor.
Meu astral é traiçoeiro e indecifrável para mim. Sinto coisas, quero coisas que não sei porque. Procura no fundo, busco razões e só o que eu encontro é o desejo, o sentimento esquisito de gostar e desgostar de alguma coisa pelo simples fato dela ser o que é.
Descontrole, imaturidade, esquizofrenia, depressão? No one knows.
Não me culpe por ser assim. Sou produto de coisas que não compreendo, não tenho controle e não alcanço. É como querer parar um carro a 120km/h com seus punhos. Não há como fazer isso sem se machucar. Sem ME machucar. Sou nociva demais para qualquer tentativa de resgate. Sei que meu progresso e crescimento depende única e exclusivamente de mim. Quando vejo minhas pessoas tentando fazer alguma coisa por mim, me desprezo ainda mais. Fico com mais nojo e raiva de mim. Sinto não merecer nem um dedo na cara, uma ofensa.
Quando penso nisso me dou conta do quando estou sendo contraditória. Trabalho a cortesia e o amor ao próximo sem ao menos me amar. Não posso dar o que me falta. Ou devo dar o que eu quero para mim? Devo alertar as pessoas o quanto elas estão sendo eu? O quanto elas estão fazendo suas vidas de rascunho?
Vivo para fora quando penso em resolver o que está a minha volta sem antes reparar o que está desmaiando minha alma.
É preciso ser forte, ter responsabilidade, ter consciência. Pensar.
Mas algumas pessoas simplesmente são fracas. Não estão prontas. Dão o máximo de si e ainda é pouco. Ainda não é suficiente. Ainda vão continuar sendo uns merdas.
É uma pena não poder voltar à ignorância.
Ás vezes um conhecimento adquirido é mais desesperador que libertário. A ignorância é, sim, uma benção.
Mas eu não sei se queria não saber o que eu sei. Prefiro ter consciência da podridão que existe em mim e no resto do que viver achando tudo lindo. Do que olhar sem enxergar. Do que ter uma existência medíocre e supérflua.
"Tudo o que era mau atraía-me: gostava de beber, era preguiçoso, não defendia nenhum deus, nenhuma opinião política, nenhuma ideia, nenhum ideal. Eu estava instalado no vazio, na inexistência, e aceitava isso. Tudo isso fazia de mim uma pessoa desinteressante. Mas eu não queria ser interessante, era muito difícil."
Descontrole, imaturidade, esquizofrenia, depressão? No one knows.
Não me culpe por ser assim. Sou produto de coisas que não compreendo, não tenho controle e não alcanço. É como querer parar um carro a 120km/h com seus punhos. Não há como fazer isso sem se machucar. Sem ME machucar. Sou nociva demais para qualquer tentativa de resgate. Sei que meu progresso e crescimento depende única e exclusivamente de mim. Quando vejo minhas pessoas tentando fazer alguma coisa por mim, me desprezo ainda mais. Fico com mais nojo e raiva de mim. Sinto não merecer nem um dedo na cara, uma ofensa.
Quando penso nisso me dou conta do quando estou sendo contraditória. Trabalho a cortesia e o amor ao próximo sem ao menos me amar. Não posso dar o que me falta. Ou devo dar o que eu quero para mim? Devo alertar as pessoas o quanto elas estão sendo eu? O quanto elas estão fazendo suas vidas de rascunho?
Vivo para fora quando penso em resolver o que está a minha volta sem antes reparar o que está desmaiando minha alma.
É preciso ser forte, ter responsabilidade, ter consciência. Pensar.
Mas algumas pessoas simplesmente são fracas. Não estão prontas. Dão o máximo de si e ainda é pouco. Ainda não é suficiente. Ainda vão continuar sendo uns merdas.
É uma pena não poder voltar à ignorância.
Ás vezes um conhecimento adquirido é mais desesperador que libertário. A ignorância é, sim, uma benção.
Mas eu não sei se queria não saber o que eu sei. Prefiro ter consciência da podridão que existe em mim e no resto do que viver achando tudo lindo. Do que olhar sem enxergar. Do que ter uma existência medíocre e supérflua.
"Tudo o que era mau atraía-me: gostava de beber, era preguiçoso, não defendia nenhum deus, nenhuma opinião política, nenhuma ideia, nenhum ideal. Eu estava instalado no vazio, na inexistência, e aceitava isso. Tudo isso fazia de mim uma pessoa desinteressante. Mas eu não queria ser interessante, era muito difícil."
Charles Bukowski
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