quarta-feira, 20 de maio de 2009


As vezes quando me olho no espelho
Sinto medo. Medo de mim.
Eu não me conheço
Sou esquisita, sou humana
Uso aparelho, como, bebo, fumo
Defeco
Mijo
Me olho no espelho
E esse me dá de volta quem sou.
Eu rio. Alto.
Assustada e engraçado
Duas longas coisas saindo do corpo: são braços, pêlos, peles, nariz pontiagudo
Duas orelhas presas na cabeça
Olho os dedos.
Meus olhos me assustam
Falo, sinto emoções e tomo cerveja
Ridícula coisa ali em pé frente ao espelho
Eu me vejo de fora.
Faço abstração mental de que eu nunca vi
Um ser humano e me vejo.
É esquisito. É realmente esquisito.
Procuro-me no espelho
E não me acho. Só vejo aquilo ali.
Parado. Um monte de carnes equilibradas
Por ossos duros que me mantém em pé.
Ali.
No espelho. Eu sei que não sou aquilo
E o que eu sou, o espelho não pode
Me mostrar...
Ainda eu não brilho...
Ainda...

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