quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
Ás vezes minha incapacidade de prever o que eu poderia fazer me assusta. Teve medo do desconhecido, que no caso é a profundidade, a dimensão do meu amor por você. Me pergunto se em outros tempos, em outras vidas eu já me senti assim tão apaixonada, tão intimamente ligada à alguém pelo coração como se este estivesse sendo puxado pelo imã que é o seu corpo e como se este fosse ser arrancado do peito a qualquer momento. E Dói. Uma coisa que sempre soube sobre nós é que doía. Dói quando eu choro por você, mas dói igualmente quando fico nesse estado de paralisia como se estivesse submersa dentro de uma membrana sufocante que é o meu amor. Esses momentos são como orgasmos: creio que se durassem mais de 5 minutos, eu não aguentaria e morreria exausta dessa sensação tão boa, mas ao mesmo tempo tão próxima do morte, do vazio infinito. É como se o meu corpo derretesse, se desmaterializasse e eu não soubesse mais distinguir-me do resto da vida, fico só com a consciência do amor e me assusto com o tamanho dele. Me sinto dentro e pertencente à Brama e à sua respiração. Porém Brama, para mim, é você. Diferente de como conta o mito, sua expiração não acabaria comigo, mas sim seria o que sustenta minha vida. Sentir você respirar próxima de mim seria o suficiente para eu continuar aqui e querer não ir embora. Presa, completamente envolvida. É louco, porque a única coisa que você precisa fazer é estar aqui, onde você está agora: deitada do meu lado, respirando à uma altura que eu consigo ouvir. Mesmo inconsciente eu sinto que posso te tocar com meu sentimento. Sinto que ele é tão nítido que todas as pessoas do mundo conseguiriam enxergar minha aura, meu chacra te doando meu amor. Mas me assusta. Isso eu quase não consigo explicar, pois me faltam palavras, mas também porque ainda não entendo e conheço muito bem.
sábado, 2 de fevereiro de 2013
O melhor de mim está soterrado agora e tudo que eu tenho são
dores, mazelas, sofrimentos egoístas que não acabam mais. Nem no meu momento de maior raiva e desgosto
eu desejei isso que sinto à você, nem esse fado que é estar do
meu lado enquanto eu sou isso, esse monstro, esse foço de pensamentos mais
pessimistas que eu já tive.
Acredite quando eu digo que não tenho forças para sair donde
estou, quando eu digo que queria ser melhor, mas não sei como. Acredite quando
disser que sinto muito por alguma coisa ridícula que eu disse num momento de muita ansiedade.
Ultimamente eu sinto como se todo o meu chacra estivesse
alojado bem abaixo do meu diafragma. Toda a minha energia se concentra ali e eu
me esforço muito para não vomitar o que eu de repente nem comi no dia. Ás vezes
parece que eu vou me desfazer em 52 mil pedaços ínfimos como se eu tivesse
engolido uma dinamite que explodiu no meu estômago. Toda essa pressão interna é falsamente aliviada com meu
kit de primeiros socorros ao contrário. Choro até derreter ou até não conseguir
mais respirar, mas tudo só faz ficar mais pesado. Eu não tenho habilidade para
lidar com isso. Cada diz parece mais difícil que o outro. Isso não está errado?
Então eu te ofereço o meu amor. Ofereço meu carinho, minha gentileza, minha esperança. O último raio dela é seu, pode levar. Eu te ofereço meus sonhos, planos e desejos mais íntimos. É seu, pode fazer o que quiser com esse lixo. Eu te ofereço o que você encontrar de bom em mim. Boa sorte com isso. Eu te ofereço todas as minhas noites de sono não dormidas. Tente arrumar algum proveito para isso. Ofereço à você todo o meu esforço. Eu te ofereço minha carne, meu sangue. Até meus ossos. Você pode tê-los e senti-los quando quiser, é só me pedir. Só não acaba com meu coração. Só não acaba com a gente. Só não vai embora e leva meu amor com você. Não me deixa pior do que eu já estou.
Sonhei que morri. De alguma forma mórbida, horripilante e
bastante real tudo que eu sempre quis se tornou verdade. As pessoas não olhavam
para mim na rua, ninguém ouvia o que eu dizia, os carros passavam por mim sem
aguçar nenhum dos meus sentidos, meu cigarro não acendia, eu não podia vomitar
nem tão pouco comer. Tudo era apenas dor. Sufocante, agonizante, flamejante e
deprimente dor. As únicas pessoas que se aproximavam de mim e estavam ao meu
redor não podiam me ajudar, pois tinham suas próprias dores insuportáveis. A
única palavra que ouvi da boca desses seres do limbo foi “você está morta, você
conseguiu o que queria.” E então de uma forma desesperada eu quis reviver, eu
quis chegar até você para que você me revivesse, mas, que ironia, meu celular não
funcionava. Acho que irônico mesmo seria se funcionasse. Ninguém ali podia me
ajudar. Eu só queria largar tudo aquilo e dizer para alguém que eu estava
errada, que me enganei, que morrer não era mais o que eu queria. Isso não
aconteceu.
Acordei num susto muito grande e cuspindo para o alto.
Literalmente. E como manda o ditado, caiu bem na minha cara.
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