
Os sentimentos se mantêm puros quando, como em todas as ordens da vida, não admitimos a mistura neles. Assim como ninguém jogaria diamante em barro, não podemos nos permitir o luxo de estropiar nossos sentimentos elevados e mais ou menos duradouros, sujando-os com dúvidas, com o rancor, a malícia, a ira, a inveja, etc. Um bom jardineiro tira as ervas e as pragas que atacam suas plantas; e o homem saudavelmente sentimental cuida as joias de suas emoções, como o melhor de seus adornos.
Aqui já não posso me referir a sentimentos: o que foi fina planta em mãos de cuidadoso jardineiro, é agora seco ramo de espinhos que prejudica a quem toca, flor carnívoro que carcome tudo quando a ela se aproxima... É paixão descontrolada, é desejo mórbido, é obsessão fixa e desmedida, é giro incontrolado que já não encontra seu centro circular...
Quando os sentimentos se desviam - quando se mesclam, caem, se arruínam, se atrofiam ou se agigantam como um câncer - estamos frente a perigosos processos de desnaturalização. E isso é muito destrutivo, meu bem.
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