domingo, 28 de março de 2010

Ainda não perdi o mau hábito de pensar em todos antes de mim.
Também não perdi o de mentir, o de fumar, o de me contradizer e o de não ser confiável.
Qual minha missão? O que mais devo aprender nessa vida? Tenho um karma?
Porque eu tenho a sensação de que já aprendi tanta coisa e estou tão cansada de dar murros em ponta de faca... talvez todos esses outros defeitos que ainda tenho fiquem pendentes. Porque, afinal, temos sempre que ter novas lições a serem aprendidas. Não quero resolver tudo agora, senão perde a graça.
Dizem que a gente sabe quando cumprimos nossas metas. Talvez seja a minha hora.

Dupla personalidade. É como estilo: ou você tem, ou você não tem.
Passar dois dias inteiros olhando para três paredes e uma grande grade. Tudo é cinza e tem muita fumaça. O pouco de contato que se tem o mundo lá fora só te deixa pior, só faz lembrar dos seus sonhos castrados.
Isso não é vida que um sujeito deve levar. Eu cansei. Realmente não mereço.
Sei que têm outros passando fome, sem casa, sem família, sem carinho... Mas temos algo em comum: o inconformismo e a vontade de mudar.
Escrevo tremendo por medo do que posso enfrentar a casa minuto que se passa. Minha porta pode se abrir e cair sobre mim uma grande bomba, mas isso não me impede de querer escrever, não me impede de formular planos, não impede meu eu querer viver uma vida.

Estudar pra quê? Já dizia O Rappa, “vocabulário é obrigatório. E castigo? Será que é obrigatório?”.
Foram inúmeras as vezes que eu parei e refleti sobre o que eu perdi. Sobre o que meus dedos deixaram escapar como água corrente... Essa história merece um fim.
Estou cheia de frustrações, de situações mal resolvidas, de relações mal acabados, e outras mal começadas. Cheia de vontade de viver, querer abraçar o mundo com as pernas, de planos maquiavélicos.
Se sou importante para “alguéns” e se não sou bem-vinda e querida aqui, existe um lugar em que sou. E esse lugar será, depois de descoberto por mim, minha meta de chegada, meu foco principal.
- Lembrar de esquecer a navalha, o estilete e as facas na gaveta da cozinha. Lembrar de ter fé e persistência nos desejos. A vontade que pulsa nas minhas veias de ser feliz do jeito ideal que só minha cabeça sabe como é: não deixarei cessar.
Repito: todos temos uma versão do paraíso. O meu eu prefiro fazer em vida.
Hedonismo? Quem sabe... Imediatismo? Acho que já está mais do que na hora.
“A livre expressão é o que constrói uma nação independentemente da moeda e sua cotação”.
Nem o Estado Absolutista Moderno é capaz de determinar a orientação sexual, a religião e as vontades políticas de um sujeito, não será uma pessoa qualquer que fará isso comigo.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Eu a vejo como um vinho na prateleira mais alta do supermercado. Alta e inalcançável, mas que causa incansável cobiça.
Pode até ser insegurança minha, mas eu não vejo compatibilidade.
Sei que por tudo que ela diz, eu deveria pensar coisas mais positivas de nós, mas pareço tão pequena ás vezes.

Sabe aquela história de que as pessoas que passam pelas nossas vidas sempre deixam alguma coisa pra trás? Meu último relacionamento me destruiu. Transformou-me numa pessoa pobre e complexada. Insegura e idiota. Fez-me dependente de pensamentos; não fico a vontade se não tiver uma mulher despejando seus pesares no meu ouvindo.
Agora o silêncio me afeta muito. Mais que isso, a falta de saber.
Preciso de declarações de amor diárias. Preciso de mais preocupação, de menos liberdade.
Como um animal que viveu muito tempo preso numa gaiola e agora não consegue se adaptar ao seu habitat natural. Que tristeza. Juro.

Ela pra mim parece ( e é ) tudo que eu sempre quis. Linda, tatuada, alta, magra, inteligente, experiente, letrada, divertida, simples, solta, livre, gostosa (no lado mais magnífico e culto da coisa)... mas parece que não é real. Ainda existe um abismo entre nós duas; e isso é imposto, não natural. Fatidicamente culpa minha. Não diretamente, mas é.

O amor tem pressa. Não pode ficar esperando eu terminar de estudar; não pode ficar plantado, sendo regado e esperando crescer naturalmente (ou por fotossíntese).
Depois, quando menos esperamos, vem uma vaca e come tudo. O amor deve ser cuidado e vigiado de perto. Meticulosamente vistoriado, para não dar margem para erros e desastres naturais que a vida nos prepara.
Vivo com pressa. Só chego atrasada. Esqueço de tudo. Não tenho tempo nem pra reclamar da vida. Não tenho tempo nem pra falar bobagens com os amigos na hora da saída da escola. Isso captura meu espírito de uma forma que faz eu deixar de ser quem sou. Procura drogas alternativas, mas não sei se estou no caminho certo. Eu acho que faço tudo errado sempre. Nunca está bom. Sempre tem um pra dizer que podia ter sido de outro jeito. Estou insatisfeita e insuficientemente preenchida. Tenho saudade da época que eu não precisava ser nada. Não precisava ser incrível, todos gostavam do jeito que eu era. Bonita, feia, gorda magra, grossa, gentil... Saudade de sentar na praça, tocar violão, comer pão com mortadela, beber cachaça doce, ficar bêbada ás 2 da tarde de uma terça-feira ao invés de ir pra academia. Saudade de matar aulas ás segundas, terças, quintas e sextas. Saudade de fumar absurdos e não me preocupar com a saúde, com meu fôlego na hora do sexo ou na hora da corrida. Saudade de mentir, dizendo que cerveja, mulher e cigarro seria só nos finais de semana.
Tenho responsabilidades. Okay, eu sempre tive. Mas agora eu sou responsável por elas. Assumo-as e enfrento-as. Mas não consigo deixar de querer reclamar minha vida;
Quando foi que me transformei na pessoa careta que sou hoje? Não uso drogas, obedeço horários, vou à academia, não como carne, quero entrar na faculdade, casar e ter filhos D:
Acima de tudo, tenho medo do que estou abdicando em função das futuras conquistas; eu nunca gostei de ver tudo passar na minha frente, sem poder tocar em nada. Sempre quero tudo que está na vitrine. Frequentemente fico com sensação de perda e desvantagem. Tantas coisa que queria viver, problemas que queria enfrentar, coisas pelas quais eu querer passar só pra ter um pouco mais de experiência e malícia na vida... mas tudo isso está fora do alcance pra mim agora. Estou fora de ar e isso está acabando comigo aos poucos.