
E essa minha dor que não me abandona. Todas as minhas cicatrizes doem simbolicamente sempre que alguma coisa longe de bom acontece conosco. E que dicotomia é a minha vida do seu lado. Ora nos entendemos só pelo olhar, ora parece que falamos diferentes línguas. O pior em ser humano-animal é a insegurança. O pior é ler um dos seus textos, achar maravilhoso e só no final perceber que não era pra mim e assim sentir uma dor de traição, de ter sido enganada por anos. O pior é saber que você mente e que mente tão bem e duvidar sempre do que você diz. E, veja bem, não são suas mentiras as culpadas disso tudo, mas sim minha insegurança. Mas no fundo eu sei que você não faz por mal. Faz porque é o que te alimenta, é do é feito seu ego. Suas histórias, suas mulheres, seu sofrimento, suas premissas, suas divagações e suas teorias. Eu não sinto vontade de morrer todos os dias porque minha família não me enxerga ou porque eu não tenho certeza de nada, mas sim por medo. Sinto dúvida e me sinto fraca e consequentemente, idiota e fraca para merecer estar do seu lado. Mas ao mesmo tempo o egoísmo me é abundante e eu nem tento abrir mão disso porque seria o melhor para você. Nem por um segundo. Eu sempre choro, imploro, peço perdão e te arrasto para o meu foço mórbido de sofrimento onde tudo é muito pesado e cinza. Nada disso faz muito sentido. Tudo isso é muito mesquinho e distante da ideia que eu tenho de amor. Mas eu te amo. Eu sei que te amo. É difícil explicar minha certeza. Mas eu sinto. É físico. Quando eu estou perto de você meus chacras fazem um looping no meu estômago e meu coração diz que está tudo certo. Que você é a pessoa. Meu Kama Manas já entra numa de inventar mil planos e palavras bonitas para te impressionar... Parece tão certo na hora. E eu chego a me enganar por muito tempo. Tempo demais para perceber que nada disso está tão bom para você quanto eu pensava. E aí eu olho para trás, vejo todo o meu esforço que parecia bem grande, como farrapos. E dói. Como dói. Você nunca vai conhecer essa dor assim como eu nunca vou conhecer a sua. Isso não é um problema. Eu não desejo que você conheça. Eu só desejo te compreender e ser compreendida. Ser ouvida, ser boa para você. E o problema está bem ai. Eu quero ser para você uma coisa que eu vivo dizendo que não sou. E palavras tem poder, não tem? A gente sabe que tem. E dentro dessa contradição não tem espaço para que eu me sinta bem. Ora choro por achar ter sido boa e perceber que não fui, e noutra porque parece que nunca vou ser. Não me interessa vestibular, dinheiro, viagens, casa mobiliada, família, amigos. Nada disso me prende aqui. É como que se hoje não mais a força da gravidade da Terra me atraísse, mas a sua. Digo isso com orgulho e pesar ao mesmo tempo, pois sei que você lamenta por as coisas serem assim pra mim. O que me envergonha e ai me sinto culpada e mal até por você ser tão importante para mim. É complicado.
Ainda não tenho certeza sobre o que essas pílulas fazem/farão por mim, mas a única coisa que eu espero é que você goste de quem eu sou/serei.