segunda-feira, 22 de outubro de 2012



Onde queres revólver, sou coqueiro
Onde queres dinheiro, sou paixão
Onde queres descanso, sou desejo
E onde sou só desejo, queres não
E onde não queres nada, nada falta
E onde voas bem alta, eu sou o chão
E onde pisas o chão, minha alma salta
E ganha liberdade na amplidão

Onde queres família, sou maluco
E onde queres romântico, burguês
Onde queres Leblon, sou Pernambuco
E onde queres eunuco, garanhão
Onde queres o sim e o não, talvez
E onde vês, eu não vislumbro razão
Onde o queres o lobo, eu sou o irmão
E onde queres cowboy, eu sou chinês

Ah! bruta flor do querer
Ah! bruta flor, bruta flor

Onde queres o ato, eu sou o espírito
E onde queres ternura, eu sou tesão
Onde queres o livre, decassílabo
E onde buscas o anjo, sou mulher
Onde queres prazer, sou o que dói
E onde queres tortura, mansidão
Onde queres um lar, revolução
E onde queres bandido, sou herói

Eu queria querer-te amar o amor
Construir-nos dulcíssima prisão
Encontrar a mais justa adequação
Tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e de viés
E vê só que cilada o amor me armou
Eu te quero (e não queres) como sou
Não te quero (e não queres) como és

Ah! bruta flor do querer
Ah! bruta flor, bruta flor

Onde queres comício, flipper-vídeo
E onde queres romance, rock'n roll
Onde queres a lua, eu sou o sol
Onde a pura natura, o inseticídio
Onde queres mistério, eu sou a luz
E onde queres um canto, o mundo inteiro
Onde queres quaresma, fevereiro
E onde queres coqueiro, eu sou obus

O quereres e o estares sempre a fim
Do que em mim é de mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal
Bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente pessoal
E querendo querer-te sem ter fim
E, querendo-te, aprender o total
Do querer que há e do que não há em mim

quinta-feira, 18 de outubro de 2012



Nada do que eu fui me veste agora
Sou toda gota, que escorre livre pelo rosto
E só sossega quando encontra a tua boca

E mesmo que em ti me perca
Nunca mais serei aquela
Que se fez seca
Vendo a vida passar pela janela


Minhas lágrimas para você não fazem sentido ao mesmo passo que sem você elas também não fazem. De longe eu percebo - tardiamente - o quanto é inútil e medíocre minhas lágrimas por você. Só funciona para crianças que querem sua mamadeira. Hoje sou eu que tenho que fazer a minha própria, me ninar e me fazer cafuné.

Talvez eu realmente não sofra como você sofreu. Talvez você não vá fazer isso comigo, por mais que eu mereça. Sua vingança seria doce, você sabe. Mas eu entendo o seu amor, sei que não há espaço para isso dentro dele. Mas infelizmente ou não, isso só faz eu te amar mais.

Entenda, não é descaso. É apenas dar a possibilidade ao outro. Deixar a outra parte tomar a iniciativa dessa vez. Entenda, não é querer de abster. Querer tomar sempre a iniciativa, querer ter sempre controle, achar sempre que deve fazer alguma coisa é não dar espaço para que o outro faça, para que o outro controle, para que o outro tome iniciativa. E isso é arrogante demais parar mim. É privar o outro de uma experiência válida: a de se redimir.

Devemos sempre achar uma possibilidade, um lugar, dentro das limitações que nos são impostas e, veja bem, quando você entende sua limitação, quando você entende que não pode fazer tudo, alcançar tudo, abre muito mais possibilidades dentro do que lhe é alcançável, simplesmente porque se conhece seu domínio. Um grão de areia com mais alguns outros formam uma praia. Somos pequenos demais para planejar e apoiar nossas convicções imaginando ser forte e infinito como não somos. É suicídio. É tentar com a garantia do fracasso. 

Existem Dias



"Existem dias que te amo, existem dias que você me odeia;
Existem dias que a morte é bela, existem dias que a vida é feia;
Existem dias que você não me quer, existem dias que eu te quero;
Existem dias que você pode tudo que puder, existem dias que espero!

Existem dias que sou mau, existem dias que sou perigoso;
Existem dias que o prazer é carnal, que o sofrimento é o próprio gozo;
Existem dias que eu quero fugir, existem dias que você não existe;
Existem dias que não sei porquê, existem dias que você persiste!

Existem dias que você me quer apenas para a sua satisfação;
Existem dias que o prazer está na própria mutilação;
Existem dias que confundimos tudo em uma única emoção!

Existem dias que os sonhos parecem mais do que reais;
Existem dias que os filhos se tornam seus próprios pais;
Existem dias que para que existam dias, e eles se repitam sempre iguais!"

[- Edward Rose]



Quando você faz o seu melhor, mas não tem sucesso
Quando você recebe o que quer, mas não o que precisa
Quando você se sente tão cansado, mas não consegue dormir
Preso em marcha-ré


E as lágrimas escorrem pelo seu rosto
Quando você perde algo que não pode substituir
Quando você ama alguém, mas isso se desperdiça
Poderia ser pior?

Luzes vão te guiar para casa
E incendiar seus ossos
E eu vou tentar consertar você

Bem lá em cima ou lá embaixo
Quando você está apaixonado demais para desistir
Mas, se você nunca tentar, nunca saberá
Exatamente qual é o seu valor

Luzes vão te guiar para casa
E incendiar seus ossos
E eu vou tentar consertar você

Lágrimas escorrem pelo seu rosto
Quando você perde algo que não pode substituir
Lágrimas escorrem pelo seu rosto
E eu

Fix You - Cold Play

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Talvez te deixar tenha sido a coisa mais horrível, cruel, insensível e burra que eu tenha feito com nós duas, porém ao mesmo tempo a mais corajosa. Bom, ao menos teria sido se eu tivesse conseguido te dizer o porquê de eu estar partindo. Teria sido se eu tivesse conseguido olhar nos seus olhos mais uma vez sem querer arrancar os meus.
Eu não podia ficar. Eu não entendia o que era amor porque eu não sabia o que era compromisso. Isso é uma verdade. Mas eu também não sabia te amar. Sempre foi tudo muito confuso, intenso e doloroso para mim... Todas aquelas sensações que você me causava - um caminhão passando sobre o meu estômago quando eu te encontrava, uma arma mirada na cabeça quando eu não sabia o que dizer ou como te dizer, os sinos de igreja e o coral de anjos que cantavam dentro da minha cabeça quando eu ouvia que você me amava, giletes atravessando minha coxa quando você me olhava com aquele olhar que fazia eu me sentir uma pobre menina inocente. Até as coisas boas doíam. E foi quando eu aprendi minha primeira lição: o amor dói.
Nós sempre fomos muito. E muito sempre sobra quando somos pequenos. E, bom, eu era pequena. Eu pensava pequeno, eu sentia pequeno, eu queria pequeno. Quando eu te vi tão grande, primeiro fiquei ofuscada. Depois tentei ser maior do que eu podia. Claramente não deu certo. Eu não era/sou forte como eu tentava/tento ser. E aí você me disse que eu não precisava ser. E aí você me disse que forte mesmo é quem admite que tem fraquezas. E aí você me fez mulher. Você fez e faz eu querer ser uma grande mulher. Porém o fato é que eu não podia ou não sabia ser essa mulher que você merecia ter naquela hora. Existem fortes e fracos, isso é outro fato. E quando fui embora foi porque eu me achava pequena demais para você e achava você muito  para mim, mas num sentido ruim, num sentido que pesava. Bom era egoísta, eu podia aguentar não te dar tudo que você merecia. Não eu não aguentava. Eu não entendia. Só não entendia.
E dessa minha ignorância prima nasceram outras tantas: a de achar que você me achava pouco, a de pensar que era um grande exagero tudo que era dito, a de te achar falsa, dissimulada e manipuladora. A de achar que éramos loucas de continuar dando murro em ponta de faca.
Depois da minha ignorância, eu vivi um tempo sendo animal. Sem alma. Sem espírito. Sem sentimento, só com emoções e sensações. Vivendo de prazeres. As vezes ouvia ela me chamar, mas ignorava. Pensava que consciência era coisa que gente que se limitava, coisa de gente sem liberdade. E a ignorância é confortável. Só que não. Quando você vive para os prazeres, se torna escravo dos seus próprios escravos. Eu era um corpo vivendo entre outros corpos e tudo que exigisse discernimento, eu me afastava. Tudo foi cinza e eu não me importa, porque eu era cinza também. Olhos tristes mas andando como uma vencedora.
Por um alinhamento planetário divino, eu percebi o quanto ainda te amava. O quanto eu ainda queria ser sua e que você fosse minha. E eu tive medo. Muito medo desse sentimento. Pensei no quão difícil seria te explicar tudo que eu vivi. Todas aquelas coisas sujas e horríveis que eu fiz. Pensei no quão difícil seria explicar tudo as outras pessoas: o amor que eu sempre senti por você e o quanto elas eram vazias. Pensei que seria impossível, que você nunca me aceitaria de volta. Que nunca teria ser perdão. Que você nunca enxergaria minha redenção. Que você nunca acreditaria na remissão dos meus pecados; E que talvez eu realmente não merecesse mesmo você de volta. Mas a alma falou mais alto e nada mais fez sentido depois desse despertar. Eu precisava tentar.
Você, por sua vez, estava maravilhosa, calma e dialética. Dentro de si e da sua razão. Foi compreensiva, e não fez perguntas que me apavorassem, que me fizessem ter coragem para concluir o plano diário de não viver mais. Você não quis me atropelar ou me jogar da janela do oitavo andar, quando eu mesma queria fazer isso comigo. Você foi tudo que eu precisava para me encorajar a ser feliz de novo.
A minha maior tristeza, a minha dívida eterna comigo mesma, o meu perdão que eu nunca vou ter é por ser idiota tetra graduada na arte de te fazer sofrer. Na arte de ser imbecil, babaca, idiota e escrota.
Ao mesmo passo que eu penso quero ser feliz do seu lado e vice versa, penso que eu nunca seria digna disso.
Mas eu acredito em Kharma. Então se os liptakas me puseram de volta contigo, alguma razão sensata devemos ter. Por isso, me desculpa. Eu sinto muito, mesmo, por tudo que eu fiz. E só fiz porque não sabia pensar em você. Não sabia o que era viver um relacionamento.
Eu te amo. Eu ainda estou aqui. Eu não vou embora.