
As vezes quando me olho no espelho
Sinto medo. Medo de mim.
Eu não me conheço
Sou esquisita, sou humana
Uso aparelho, como, bebo, fumo
Defeco
Mijo
Me olho no espelho
E esse me dá de volta quem sou.
Eu rio. Alto.
Assustada e engraçado
Duas longas coisas saindo do corpo: são braços, pêlos, peles, nariz pontiagudo
Duas orelhas presas na cabeça
Olho os dedos.
Meus olhos me assustam
Falo, sinto emoções e tomo cerveja
Ridícula coisa ali em pé frente ao espelho
Eu me vejo de fora.
Faço abstração mental de que eu nunca vi
Um ser humano e me vejo.
É esquisito. É realmente esquisito.
Procuro-me no espelho
E não me acho. Só vejo aquilo ali.
Parado. Um monte de carnes equilibradas
Por ossos duros que me mantém em pé.
Ali.
No espelho. Eu sei que não sou aquilo
E o que eu sou, o espelho não pode
Me mostrar...
Ainda eu não brilho...
Ainda...